Luxação: o que é, tipos, causas, sintomas e tratamento

Escrito por Clovis Filho via Redação Minha Vida

O que é luxação

A luxação pode ser definida tecnicamente como a perda da congruência articular, ou seja, quando um osso sai por completo de sua posição anatômica correta. Pode acontecer com qualquer articulação do corpo, como ombro, cotovelo, joelho, tornozelo e dedos, por exemplo.

De acordo com o ortopedista Rodrigo Vetorazzi, essa é uma situação grave, muitas vezes até pior que fraturas ósseas. Por isso, nesses casos, a redução (ato de colocar a ligação no lugar) e estabilização são consideradas ações de urgência ortopédica.

Tipos de luxação

As luxações podem ser separadas de algumas formas, sendo as principais:

  • Luxações traumáticas ou atraumáticas: associadas a um evento traumático com causador da luxação
  • Luxações congênitas ou adquiridas: as luxações congênitas aparecem em recém-nascidos ou bebês em decorrência de malformações anatômicas. Podem estar associadas também a algumas síndromes genéticas. Por vezes, o diagnóstico é feito tardiamente por dificuldades ou mesmo falta de suspeição clínica. No caso das adquiridas, acontecem por diferentes fatores, como traumas não associados à formação articular intra uterina
  • Luxação primária ou recorrente: pode-se definir a luxação primária como a primeira que ocorre e a recorrente, ou recidivante, quando a luxação acontece repetidas vezes na mesma articulação, independente da causa. Normalmente, há algum fator anatômico predisponente associado.

Outras terminologias também são comuns e recorrentes na caracterização do tipo de luxação. Conheça outras nomenclaturas:

Luxação patelar

Luxação patelar é quando a patela, osso que fica na região anterior do joelho (antigamente chamado de rótula), perde o contato com a região do fêmur, onde fica localizada naturalmente. Ela acontece mais frequentemente na parte externa do joelho, como luxação lateral.

Normalmente, o primeiro episódio de luxação patelar surge associado a algum trauma no joelho e causa uma lesão de ligamento do joelho (o patelo-femoral medial), importante estabilizador da patela.

Quando o primeiro episódio acontece em crianças, há uma maior chance dessa luxação tornar-se recorrente ou recidivante e, em geral, há algum fator anatômico que facilita a ocorrência de novos episódios de luxação.

Luxação acromioclavicular

É a perda da congruência articular do acrônimo (porção distal da escápula) com a clavícula, geralmente após trauma lateral no ombro e braço. Essa categoria de luxação possui diversos graus.

Seu tratamento pode ser por imobilização ou cirurgia, dependendo da idade do paciente (cirurgia pode ser melhor em jovens, que têm maior demanda na articulação) e do uso da articulação (trabalhadores braçais e atletas também são mais elegíveis à cirurgia).

Luxação glenoumeral

Luxação glenoumeral é a luxação do ombro mais comum, que ocorre quando o úmero (osso do braço) perde o contato com a glenóide (região da escápula, onde fica o úmero). É bastante frequente, sendo causada por quedas e traumas no membro superior.

Como explica o ortopedista Samuel Lopes, casos em que há frouxidão dos ligamentos do ombro ou outra alteração anatômica local podem evoluir para luxação recorrente, e haver a necessidade de intervenção cirúrgica.

Causas

As luxações ocorrem, em sua maioria, em decorrência de algum trauma no membro ou articulação, sendo mais comuns os traumas diretos que acometem dedos da mão ou do pé e também a articulação acrômio-clavicular, na região anterior do ombro, ou traumas torcionais, que acometem mais o tornozelo.

Já o ombro e a patela têm uma particularidade, já que grande parte das luxações nessas áreas está associada a lesões de estruturas capsulo-ligamentares. Essas deixam a articulação mais predisposta a luxações, mesmo que não haja associação com traumas no local, com o osso se deslocando após movimentos cotidianos.

Diferença entre luxação, contusão, lesão e entorse

A luxação é quando um osso sai completamente do seu lugar anatômico, sem que haja necessariamente uma fratura associada. Já uma contusão pode ser qualquer tipo de trauma em algum local do corpo, sendo mais comum nos membros superiores e inferiores (braços ou pernas, por exemplo). O detalhe é que não há luxação ou fratura, apenas a pancada ou batida local.

O entorse descreve um tipo de trauma de torsão agudo, que pode ser definido como um movimento rápido que acontece com giro sobre o membro ou movimento de torção de uma articulação, como o tornozelo ou joelho. Um exemplo seria uma virada no pé ou tornozelo ao pisar em um buraco.

Saiba mais: Entorse de tornozelo: tipos, tratamento e tempo de recuperação

Segundo o médico especialista Samuel Lopes, os entorses, em geral, atingem os ligamentos, estruturas que ajudam a dar estabilidade às articulações, podendo gerar estiramentos ou rupturas destes e, em alguns casos, fraturas.

O termo lesão, por outro lado, engloba qualquer tipo de trauma que possa gerar o comprometimento de alguma estrutura do corpo. Assim, a luxação, a contusão e o entorse são considerados tipos de lesões, assim como as fraturas.

Sintomas

Os sintomas de uma primeira luxação, geralmente traumática, envolvem dor associada a limitação de movimentos da articulação em questão. Pode haver também alguma deformidade local aparente, além de eventuais inchaços e possíveis hematomas.

Diagnóstico

O diagnóstico da luxação é feito por avaliação médica, o que inclui exame físico e uma avaliação por imagem complementar, como uma radiografia. Em alguns casos, outros exames, como tomografia computadorizada ou ressonância, podem ser solicitados pelo médico.

Tratamento

O tratamento parte do princípio inicial de redução articular, ou seja, retornar a articulação à sua posição normal anatômica. Isso deve ser feito exclusivamente por um médico após o diagnóstico correto. Idealmente, a redução deve ser feita sob sedação para conforto do paciente e maior segurança do procedimento.

Em alguns casos, alguma intervenção cirúrgica imediata ou tardia pode ser necessária, conforme a análise individual de cada caso. Casos de luxação recorrente da patela e do ombro, quando ocorrem com frequência muito grande e/ou trazem importante limitação para o paciente, a indicação de cirurgia deve ser considerada.

Remédios para luxação

O uso de remédio pode ser realizado, desde que recomendado por um médico, evitando a automedicação. Esse grupo de medicamentos consiste em anti-inflamatórios não hormonais orais ou tópicos e analgésicos. Sua administração é mais indicada nos casos agudos de luxação, em que há maior grau de dor do paciente. Alergias e contra-indicações individuais devem ser levadas em conta.

Pomada para luxação

Geralmente, quando recomendadas, as pomadas para luxação costumam ser as anti-inflamatórias. Assim como compressas em geral, elas podem ser usadas em caso de dor, mas sempre prescritas e indicadas por um profissional.

Referências

Rodrigo Vetorazzi, médico coordenador da Ortopedia do Hospital Albert Sabin de SP – CRM 112465 SP

Samuel Lopes, médico ortopedista, especialista em cirurgias do joelho e trauma do esporte. Membro efetivo da sociedade Brasileira de Ortopedia (SBOT), Sociedade Brasileira de Cirurgia do Joelho (SBCJ) e da Sociedade Brasileira de Artroscopia e Traumatologia do Esporte. Chefe do Departamento de Ortopedia e Traumatologia da Santa Casa de Juiz de Fora – CRM 45083 MG

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *