Obesidade e desnutrição: nem tudo é o que parece

Além da desnutrição, a obesidade se tornou uma das maiores preocupações da saúde pública no Brasil. Em décadas anteriores, o Brasil tinha elevadas taxas de desnutrição. Agora, mais da metade da população adulta está com excesso de peso. Ana de Oliveira Parada, médica nutróloga do Hospital Universitário de Brasília (HUB), lembra que quando se trata de agravos nutricionais as aparências enganam. É comum ligarmos o peso do indivíduo ao problema, quando na verdade o caso é um pouco mais específico.

“Temos muitos adultos com deficiência nutricional. Eles até consomem muitas calorias, mas não variedade de nutrientes. As pessoas sempre ligam a desnutrição à pessoa magra, mas podemos ter um obeso com carência nutricional, ou seja, ele está desnutrido do ponto de vista de micronutrientes e oferta de proteínas”, aleta a médica. “Existem muitos casos de pessoas obesas que fazem dieta por conta própria e acabam com sérias deficiências nutricionais. Ela perde peso mas também muitos nutrientes nesse processo. E muitas vezes ela volta ao peso original e não recupera os nutrientes que perdeu naquela dieta”, completa.

Obesidade X Desnutrição – problema de saúde pública
Uma das maiores preocupações com o excesso de peso é que ele aumenta a prevalência de doenças crônicas associadas à obesidade, como diabetes e hipertensão. Segundo dados da pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, quase 20% dos brasileiros sofre com obesidade.

“A obesidade e a desnutrição são doenças nutricionais que podem ou não ser relacionadas a problemas alimentares. Antigamente a obesidade e a desnutrição eram enxergadas como consequências. Se a pessoa tinha câncer, por exemplo, era normal ela estar mais magra. Se a pessoa era obesa, o problema era somente o sedentarismo. Hoje, os dois são percebidos como doenças”, explica Ana Parada.

Em função de sua magnitude e velocidade de evolução, o excesso de peso – que compreende o sobrepeso e a obesidade – é considerado atualmente um dos maiores problemas de saúde pública, afetando todas as faixas etárias. Mas o problema pode ser evitado com alguns cuidados simples que devem começar durante a gravidez.

Da gestação à vida adulta
A mãe pode contribuir para os cuidados com o seu filho em relação à desnutrição ou obesidade desde a sua gravidez. “A mãe precisa ter uma alimentação adequada e saudável e praticar atividade física. Essas atitudes vão favorecer a saúde do seu filho em longo prazo. E depois que a criança nasce, a mãe deve alimentá-la apenas com leite materno até os seis meses de vida e manter o aleitamento até os dois anos de idade. Também não se deve oferecer açúcar nos primeiros dois anos de vida da criança. Essas ações já vão reduzir bastante os agravos nutricionais na criança”, recomenda Ana.

Segundo a médica, os cuidados com a alimentação da criança devem perdurar para que o objetivo seja alcançado na vida adulta. “Durante a introdução alimentar, a mãe deve priorizar os alimentos saudáveis, in natura, e evitar os processados e ultraprocessados, como biscoitos recheados, sucos de caixinha e papinhas industrializadas. Deve oferecer frutas e deixar o açúcar de lado. Além da alimentação, os pais também devem estimular a atividade física desde a infância. Se a criança cresce com hábitos mais saudáveis, as chances dela ser um adulto mais saudável são enormes.”

Alimentação saudável
Para evitar a obesidade ou a desnutrição é preciso se alimentar de forma mais adequada e saudável. E uma alimentação saudável não é composta por comida ruim ou sem gosto. “O que há de se ter em mente é que macarrão instantâneo e fast food não são saudáveis e não vão fazer bem. Uma alimentação variada, rica em nutrientes, colorida, baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, legumes, frutas e verduras é o essencial para uma vida saudável”, aponta Ana.

Atividade física
Para muitos adultos as dificuldades impõem algumas barreiras complicadas. “As pessoas têm de fazer atividade física regularmente, mas algumas moram em um local perigoso e não podem fazer uma caminhada. Outras precisam acordar no meio da madrugada para chegar ao trabalho a tempo e a falta de sono também contribui para a obesidade”, justifica a médica.

E tem também a questão do preço dos alimentos. Infelizmente, muitas vezes o alimento industrializado acaba sendo mais barato do que aquele in natura. É necessário encontrar meios para driblar os problemas. Uma boa opção é fazer uma horta em casa ou ir à feira no final, na hora da xepa, para buscar alimentos com preço mais em conta. Vale o esforço para conseguir uma alimentação mais saudável.

Dicas para uma alimentação saudável e adequada:
Tenha uma dieta variada e rica em alimentos in natura ou minimamente processados.
Tenha sempre à mesa frutas, legumes e verduras.
Prepare suas refeições em casa e, se necessário, congele o almoço ou jantar em pequenas porções.
Evite gorduras saturadas, sal, açúcar e alimentos ultraprocessados.
Se tiver dúvida, consulte o Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde. A publicação te orienta quanto às práticas alimentares adequadas e saudáveis, que contribuirão para a promoção da sua saúde.

Fonte: Brasil Saúde

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