Saiba o que é esquistossomose



Conhecida como uma doença prevalente em áreas tropicais e subtropicais, a esquistossomose afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Popularmente conhecida como barriga d’água, xistose ou doença do caramujo, a esquistossomose atinge principalmente comunidades carentes, sem acesso a água potável e sem o saneamento adequado. Se não for tratada adequadamente, a esquistossomose pode evoluir e provocar complicações graves, levando à morte.
De acordo com a coordenadora-geral substituta de Doenças em eliminação do Ministério da Saúde, Jeann Marie Marcelino, a esquistossomose está relacionada diretamente com certos hábitos de vida. “É uma doença relacionada com a falta de saneamento básico e uso da água doce para lazer ou para trabalho, como pescadores e mulheres que lavam louças na beira do rio”, esclarece.
A principal forma de ser infectado pelos vermes causadores da esquistossomose é entrando em contato com água doce com caramujos infectados. Quando uma pessoa entra em contato com essa água contaminada, as larvas penetram na pele e ela adquire a infecção.
Como acontece a transmissão
No Brasil, a doença parasitária é causada pelo verme Trematódeo Schistosoma Mansoni. Ele tem a espécie humana como hospedeiro definitivo e os caramujos de água doce, do gênero Biomphalaria, como hospedeiros intermediários.
Pessoas contaminadas podem liberar ovos do parasita em suas fezes. Quando estas são depositadas em rios, córregos e outros ambientes de água doce ou quando chegam até estes locais pelas enxurradas, pode acontecer a contaminação através da pele. O verme é capaz de penetrar na pele de pessoas que pisam descalças, nadam, tomam banho ou simplesmente lavam roupas e objetos na água infectada.
Marcelino explica que, no Brasil, a principal região com áreas de transmissão é o Nordeste. Mas outros estados, como Minas Gerais e o Espírito Santo, também possuem casos da doença. “Destacamos que os estados que possuem maior número de casos são Alagoas, Bahia, Pernambuco e Sergipe. Além deles, podemos destacar o Rio Grande do Norte, Paraíba, e Maranhão. Também existem pequenas áreas de transmissão no Ceará e no Pará. A indicação é que quando uma pessoa visite esses estados tenha muita atenção para o banho em águas doces com correnteza leve, pequenos rios e riachos”, alerta.
Sintomas da esquistossomose
Na fase aguda, o paciente infectado por esquistossomose pode apresentar diversos sintomas, como febre, dor de cabeça, calafrios, suores, fraqueza, falta de apetite, dor muscular, tosse e diarreia. Em alguns casos, o fígado e o baço podem inflamar e aumentar de tamanho.
Porém, a coordenadora explica que, na maioria dos casos, as pessoas infectadas não sentem sintomas da doença. “A maioria dos portadores do parasita não apresentam sinais da doença, são assintomáticos. É uma doença bastante silenciosa, o que a torna perigosa”, disse.
Quando os sintomas surgem, o tempo de aparecimento dos primeiros sinais é de duas a seis semanas, a partir da infecção. Além disso, a doença pode se tornar crônica. “Se a pessoa contraiu a doença e não teve tratamento durante muito tempo ou se ela vive em uma área endêmica e está sempre se reinfectando, ela pode desenvolver uma forma crônica da doença”, explica Marcelino.
Na forma crônica da doença, a diarreia se torna mais constante, alternando-se com prisão de ventre, e pode aparecer sangue nas fezes. Além disso, a pessoa pode ter outros sintomas, como tonturas, dor na cabeça, sensação de plenitude gástrica, coceira anal, palpitações, impotência, emagrecimento, endurecimento e aumento do fígado.
Nos casos mais graves, o estado geral do paciente piora bastante, com emagrecimento, fraqueza acentuada e aumento do volume do abdômen, conhecido popularmente como barriga d’água.
Tratamento
Uma pessoa infectada terá ovos do parasita nos tecidos do corpo humano e a reação do organismo a eles pode causar grandes danos à saúde. Por isso, é importante que o tratamento seja iniciado o quanto antes.
O tratamento da esquistossomose, para os casos com menor gravidade, é simples, em dose única, na unidade de saúde, por meio de medicamentos específicos receitados pelo médico. Os casos graves geralmente requerem internação hospitalar e até mesmo tratamento cirúrgico, conforme cada situação.
O tratamento é oferecido de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Em caso de suspeita de infecção, procure a Unidade de Saúde mais próxima para os cuidados necessários.

Fonte: Blog Saúde

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