Responsabilidade afetiva: o que é e como reconhecer a falta

Escrito por Clovis Filho via Redação Minha Vida

O que é responsabilidade afetiva

responsabilidade afetiva diz respeito à honestidade e transparência em uma relação. De acordo com a psicóloga Ana Luiza Costa, significa se responsabilizar pelo que se provoca no outro – não pela idealização que a pessoa cria, mas pela forma como você está passando aquilo que deseja.

A pessoa responsável afetivamente deve ser ética, agir de acordo com a sua real intenção, sem manobras de poder deliberadas. Assim, responsabilidade afetiva nada mais é que ter consideração tanto com os próprios sentimentos e intenções quanto com os da outra pessoa, além de ter a capacidade de agir com clareza conforme esses sentimentos e intenções emergem.

Colocar-se no lugar da outra pessoa, ou seja, ter empatia, está superconectado com a responsabilidade afetiva. De acordo com a psicóloga e sexóloga Carolina Freitas, isso é importante para não alimentar sentimentos na outra pessoa somente para sentir-se bem quando você sabe que suas intenções não são as mesmas que as do outro.

“Por exemplo, a capacidade de me colocar no lugar do outro já aciona cuidados com as ações. E ser empático é isso, pensar no impacto que o que eu falo e faço causa na outra pessoa”, explica Carolina.

Embora a associação mais comum da responsabilidade afetiva seja com relacionamentos amorosos, essa não é a única esfera que na qual ela é importante. É interessante trazer esse conceito para todas as nossas relações: namoro, amizade, família, entre outros.

Como reconhecer a falta de responsabilidade afetiva

Onde não houver empatia e respeito é o lugar que se reconhece a falta de responsabilidade afetiva. “Ainda, se alguém te diminui dentro de uma relação apenas para se sentir melhor, este também é um lugar de falta de responsabilidade afetiva”, acrescenta a psicóloga.

Responsabilidade afetiva e reciprocidade afetiva

A responsabilidade afetiva e a reciprocidade são conceitos diferentes que não devem ser confundidos. Na responsabilidade afetiva, você mostra seu real interesse e age em coerência com seus sentimentos. Comunica suas intenções e expectativas claramente, de forma responsável – daí o termo.

Já na reciprocidade, você corresponde ao sentimento de outra pessoa. Muitas vezes, a expressão é utilizada para descrever a situação em que duas (ou mais pessoas) partilham do mesmo sentimento, na mesma intensidade.

A especialista Ana Luiza Costa, colaboradora da Plataforma Sexo sem Dúvida, explica que é possível tratar as pessoas com quem se relaciona de uma boa maneira, sem ter o mesmo sentimento ou a mesma intensidade recebida. “Não somos obrigados a sentir a mesma coisa, mas devemos respeitar os sentimentos, tanto os seus quanto os do outro”, reforça.

Neste sentido, a terapeuta sexual Livia Leite frisa a cautela para que não se tome qualquer “não correspondência” em uma relação como falta de responsabilidade afetiva. A idealização do outro não deve ser responsabilidade da pessoa.

Situações que pedem por responsabilidade afetiva

Nas relações de amizade, a responsabilidade afetiva pode ser aplicada de diversas formas, algumas até mesmo complexas. Demonstrar um tipo de carinho, interesse, presença ou se tornar um porto seguro para a pessoa sem que deseje ser de fato, pode vir a causar dificuldades para o outro – configurando uma irresponsabilidade afetiva.

Também é possível ter responsabilidade afetiva no sexo casual, por exemplo. Nele, você pode realizar seu desejo de sexo sem compromisso, mas com consentimento da outra pessoa e sem ferir ou tolher os desejos dela.

“Inclusive, é nessa troca que mora a conexão sexual. Você evidencia que sua intenção é a mesma que a de um encontro sexual casual e não cria uma situação de forma a envolver a pessoa com falsas expectativas”, explica Livia.

Outro exemplo seria uma relação em que você não tem interesse de namorar e percebe as expectativas da outra pessoa. Sabendo que o sentimento e desejo não são recíprocos, é importante comunicar isto de forma empática, para não criar falsas esperanças no outro apenas para alimentar sua autoestima de alguma forma.

“Se eu sei que a minha intenção é, exclusivamente, transar com uma pessoa, eu não devo prometer coisas que não intuo cumprir. Não pergunto nada do tipo ‘onde iremos passar o Ano Novo?’, sendo que passar esse período com a pessoa não é minha real intenção”, acrescenta Ana Luiza Costa.

De maneira geral, é fundamental desenvolver uma comunicação assertiva dentro de qualquer relação afetiva, assim como ter consciência sobre onde você se encontra na relação e o que você deseja dela.

Como ter mais responsabilidade afetiva

Não existem formas de racionalizar a responsabilidade afetiva em tópicos, porém a psicóloga Ana Luiza Costa traz algumas reflexões essenciais para quem deseja ser responsável afetivamente. Confira os pontos a seguir:

1 – Comunique-se bem

Seja claro naquilo que deseja ou sente pelo outro. Apenas dessa forma é possível entender onde os sentimentos de cada um se encontra e refletir se a forma como se age deve ser modificada.

2 – Verbalize suas insatisfações

Falar sobre aquilo que você discorda também compõe a responsabilidade afetiva, porque, uma vez que a pessoa não se faz entender, o incômodo pode afetar o status da relação. O distanciamento que, muitas vezes, ocorre pode não ser compreendido pela outra pessoa, que sente uma mudança repentina no comportamento.

3 – Tenha autoconhecimento

Ter consciência de si mesmo é a primeira prática a ser seguida por quem deseja se responsabilizar por qualquer coisa na vida. Quanto mais a pessoa se doa e tem um relacionamento saudável consigo mesma, mais ela consegue levar isso para fora, compreendendo seus processos, suas ações e, claro, aquilo que deseja.

4 – Cuidado com o individualismo excessivo

Um dos principais pontos para ter responsabilidade afetiva é evitar o individualismo em excesso (ou pensar exclusivamente em si o tempo todo), sem conseguir estabelecer empatia o suficiente pela situação do outro.

Fontes consultadas

Ana Luiza Costa, psicóloga e sexóloga especializada, colaboradora da Plataforma Sexo sem Dúvida – CRP 08100/87

Livia Leite, sexóloga especialista

Carolina Freitas, psicóloga e sexóloga especialista, colaboradora da Plataforma Sexo sem Dúvida- CRP 09/8329

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