OMS atualiza recomendação de vacina contra febre amarela para viajantes internacionais ao Brasil

O Secretariado da Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu 88 novos municípios brasileiros como áreas com recomendação de vacina contra febre amarela. A decisão, divulgada no comunicado Disease Outbreak News, vale para viajantes internacionais que se deslocam até esses lugares, incluindo as cidades do Rio de Janeiro (Estado do Rio de Janeiro), Niterói (Estado do Rio de Janeiro), Salvador (Estado da Bahia) e a área urbana de Campinas (Estado de São Paulo).

Com isso, todo o Estado do Rio de Janeiro, passa a ser área com recomendação de vacina contra a febre amarela. O número de municípios da Bahia cuja imunização contra a doença é recomendada passou de 69, em 27 de janeiro, para 154. No Estado de São Paulo, apenas o município de São Paulo não faz parte da área recomendada para imunização. No último dia 6 de março, a OMS já havia divulgado um informe orientando os viajantes internacionais a se vacinarem antes de irem para o Estado do Espírito Santo.

Antes do surto atual, a imunização contra a doença já era recomendada para os Estados brasileiros do Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins, além de determinadas áreas da Bahia, Paraná, Piauí, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.

O objetivo dos informativos Disease Outbreak News é deixar os Estados Membros da OMS informados sobre surtos que estão ocorrendo em várias localidades do mundo. Os três comunicados anteriores divulgados pela Organização diziam respeito a surtos de gripe aviária (H7N9) na China e de síndrome respiratória do Oriente Médio (MERS) no Qatar e na Arábia Saudita.

A determinação de novas áreas consideradas de risco de transmissão de febre amarela e com recomendação de vacina é um processo contínuo e atualizado regularmente pela OMS.

Epizootias
O comunicado levou em conta as epizootias (mortes de macacos) e casos em humanos que estão sendo investigados ao longo da zona costeira do norte da Bahia, incluindo a área urbana de Salvador, com uma epizootia confirmada por infecção pelo vírus da febre amarela no município de Feira de Santana. Também foram confirmadas epizootias associadas à doença nas proximidades da área urbana de Campinas. E nas proximidades de áreas urbanas na cidade do Rio de Janeiro e de Niterói estão sendo investigadas mortes de macacos por febre amarela.

Esses relatos são consistentes com o aumento da atividade da doença observado nas regiões sul do Estado da Bahia, na fronteira com os Estados do Espírito Santo e Minas Gerais, e em áreas dos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo, todas compartilhando o mesmo ecossistema.

Transmissão
Atualmente, o Brasil é afetado apenas pela febre amarela silvestre – transmitida pelos mosquitos Haemagogus e Sabethes. Até o momento, não há qualquer evidência de que o mosquito Aedes aegypti, presente em zonas urbanas, esteja envolvido na transmissão.

De acordo com o mais recente alerta epidemiológico da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e Suriname notificaram casos de febre amarela neste ano. A OPAS/OMS tem trabalhado para apoiar os países na resposta à doença. No momento, há equipes da Organização em diversas áreas afetadas do Brasil, trabalhando com as autoridades de saúde nacionais e locais.

Vacinação
A medida mais importante para prevenir a febre amarela é a vacinação. Quem vive ou se desloca para as áreas de risco deve estar com as vacinas em dia e se proteger de picadas de mosquitos. Para a OPAS/OMS, apenas uma dose da vacina é suficiente para garantir imunidade e proteção ao longo da vida. Efeitos secundários graves são extremamente raros.

Pessoas com mais de 60 anos só devem receber a vacina após avaliação cuidadosa de risco-benefício. A vacina contra a febre amarela não deve ser administrada em:

  • Pessoas com doença febril aguda, cujo estado de saúde geral está comprometido
  • Pessoas com histórico de hipersensibilidade a ovos de galinha e/ou seus derivados
  • Mulheres grávidas, exceto aquelas com avaliação de alto risco de infecção e situações em que há recomendação expressa de autoridades de saúde
  • Pessoas severamente imunodeprimidas por doenças (por exemplo, câncer, AIDS etc.) ou medicamentos
  • Crianças com menos de 6 meses de idade (consulte a bula do laboratório da vacina)
  • Pessoas de qualquer idade com uma doença relacionada ao timo

Dada a atual situação da febre amarela no Brasil e o surgimento de casos em áreas que passaram anos sem registros, a OPAS – Escritório Regional da OMS – insta os Estados Membros a continuar os esforços para detectar, confirmar e tratar adequadamente e de maneira oportuna os casos de febre amarela. Para isso, é importante que os profissionais de saúde estejam atualizados e capacitados para detectar e tratar casos, especialmente em áreas de circulação do vírus causador da doença.

Fonte: Paho

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